A realização de uma eficiente gestão da água de rega possibilita simultaneamente uma significativa poupança nos custos de produção dos pequenos frutos e a efectivação de um controlo real sobre a qualidade e quantidade da produção, com evidentes reflexos nos rendimentos da exploração. Afortunadamente, existe actualmente um vasto leque de opções para o controlo da utilização de água, energia, adubos, pesticidas, e outros factores de produção.



A temática da produção de pequenos frutos em Portugal tem sido abordada frequentemente nos últimos anos, verificando-se inclusivamente uma forte expansão do número de produtores destes frutos. Contudo, o caminho a percorrer é árduo e o começo da produção não garante o sucesso das explorações.
É, então, imprescindível considerar e atender a diversos factores, como sejam a localização e a dimensão da produção. Não deveremos produzir de uma forma isolada, sem a garantia de comercialização da produção. A exploração deve enquadrar-se numa zona em que haja facilidade de escoamento do produto, designadamente pela existência de armazéns para concentração da oferta. Do mesmo modo, as variedades escolhidas para colocar em produção são igualmente determinantes no sucesso do negócio. Por último, para um produtor que procure destacar-se num mercado altamente concorrencial, será fundamental a aquisição de conhecimentos específicos por via da participação em acções de formação, colóquios, e outros. Trata-se, efectivamente, de um processo primordial para todos os agentes do sector aqui abordado.

« A responsabilidade inerente à realização do projecto deverá, pois, estar a cargo de uma entidade que seja independente do fornecedor dos materiais de rega, ficando desse modo assegurado o rigor técnico de todos interveniente do projecto. »

No âmbito da gestão de rega surgem, ao longo do projecto, diversas componentes que deverão ser analisadas e integradas nas restantes especialidades. Tais componentes são relevantes em diversos momentos, entre os quais podemos salientar a concepção do campo, a concepção do sistema de rega, a selecção das variedades a produzir, a tecnologia de gestão de rega a implementar, as práticas de manutenção do sistema de rega, a formação dos técnicos de campo e, finalmente, a elaboração e implementação de um plano de gestão de rega.

Para que o empreendimento esteja, desde o seu começo, direccionado para o sucesso, é particularmente relevante o recurso a um projecto de rega elaborado por um técnico especializado, pressupondo esta opção um investimento financeiro com inegáveis reflexos positivos no longo prazo. Ora, esta opção é frequentemente desatendida pelos agricultores portugueses, que ao invés entregam esta concepção à empresa fornecedora do material de rega. Não querendo nem podendo negar a existência, em Portugal, de excelentes fornecedores de material de rega, devemos contudo alertar para os inconvenientes de os mesmos conceberem o projecto de rega, vertidos desde logo na natural ausência de imparcialidade técnica nessa colaboração. A responsabilidade inerente à realização do projecto deverá, pois, estar a cargo de uma entidade que seja independente do fornecedor dos materiais de rega, ficando desse modo assegurado o rigor técnico de todos os intervenientes no projecto.

Cumpre agora fazer uma breve referência à drenagem, frequentemente - e erradamente - considerada o parente pobre da rega, embora detenha um papel tão importante quanto a própria rega. Efectivamente, o projecto de drenagem, quando bem realizado e implementado, dota a exploração de uma ferramenta muito poderosa, sem a qual o agricultor enfrentará um sem número de adversidades ao tentar produzir em boas condições.



Presentemente, a área de pequenos frutos em hidroponia tem já uma dimensão considerável. Dada a complexidade característica dos sistemas de hidroponia, torna-se crucial para o agricultor o recurso a ferramentas que o auxiliem na gestão da sua exploração. Neste âmbito, o conhecimento de parâmetros como a quantidade de água drenada, o pH, a temperatura, a humidade do substrato, entre outros, de forma contínua e remota, constitui uma mais- -valia para o agricultor diligente que procure antecipar o surgimento de problemas e agir em conformidade. Ao elaborar e implementar um plano de gestão de rega, a ideia-chave a reter é a de que estamos perante um processo dinâmico, que deve ser continuamente avaliado e corrigido, e no qual podemos identificar quatro fases distintas: Planeamento, Implementação, Monitorização, e Avaliação.

Na primeira fase - de Planeamento da estratégia adequada - é necessário proceder à caracterização do local e dos solos, avaliar a performance do sistema de rega, identificar as culturas, suas variedades e outras especificações e, finalmente, definir os objectivos de qualidade e quantidade. Entre outros, pretende neste momento determinar-se:

  • Qual a capacidade de retenção de água do solo, por forma a permitir uma gestão eficaz da água;

  • Qual o sistema de rega que melhor se adapta às necessidades do agricultor, evitando gastos desnecessários;

  • Qual a programação de rega mais adequada, considerando os objectivos culturais do Agricultor, desse modo se minimizando os custos de operação;

  • Qual a correcta localização do equipamento de monitorização do teor de humidade do solo (uma vez que nem todos os equipamentos existentes no mercado são adequados para pequenos frutos, a selecção acertada dos mesmos constitui igualmente um factor de sucesso).

A elaboração de um plano de rega serve como referência para a programação da rega ao longo da campanha, sendo que o levantamento das características do solo orienta ainda o profissional para outros aspectos do planeamento e da gestão da exploração agrícola.

Por sua vez, na fase de Implementação será necessária a obtenção de dados de Evapotranspiração e precipitação da zona, bem como dos dados de sondas capacitivas, desse modo se aferindo da quantidade de água efectivamente utilizada pelo sistema solo/planta. Em função da estratégia oportunamente elaborada, definirse- á a frequência da rega e a quantidade de água utilizada, ou seja, quando e quanto regar.

No decurso da fase de aplicação da água, é fundamental a Monitorização da performance da rega em função dos objectivos pretendidos: procede-se a uma continuada avaliação da quantidade de água que ficou disponível para a planta, da profundidade atingida, dos escorrimentos, e da uniformidade da aplicação, entre outros. A existência de um sistema de monitorização de água no solo, nesta fase do processo, é de crucial importância.

« (...)se ambicionamos aumentar a área e a qualidade da nossa produção, é imperativo que tomemos medidas para uma gestão progressivamente mais eficiente dos factores de produção das explorações agrícolas. »

As novas tecnologias permitem igualmente o recurso a ferramentas de apoio aquando da recolha e processamento de informação para a gestão da água de rega. A este respeito vejam- -se dois exemplos: as estações meteorológicas, ao permitirem a recolha de dados do local - relativos à evapotranspiração, precipitação, avisos de geada, somatório de horas de frio ou previsão meteorológica - oferecem ao agricultor uma informação correcta e completa e, consequentemente, maior vantagem competitiva; as sondas para monitorização do teor de humidade e salinidade do solo/substrato permitem a monitorização contínua e permanente do estado hídrico da cultura, com o simples recurso a um telemóvel com acesso à Internet.

Em conclusão, diremos que o sucesso da produção prender- se-á, sempre, com a qualidade da fruta produzida, factor essencial e que de resto bem caracteriza a produção portuguesa. Contudo, diremos que se prenderá igualmente com um conhecimento minucioso das quantidades de água e nutrientes a aplicar no terreno.

A produção nacional de pequenos frutos representa menos de 1% da produção europeia. Contudo, se ambicionamos aumentar a área e a qualidade da nossa produção, é imperativo que tomemos medidas para uma gestão progressivamente mais eficiente dos factores de produção das explorações agrícolas.


 

POR: Lopo de Carvalho
Aquagri
Agrotec n.º 12, do 3º trimestre de 2014


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